Coroado
Sob a proteção irremediável das favelas vizinhas o Coroado reina. Soberano, ele comemora seus trinta e seis anos de existência na santa paz do Senhor – Jesus Cristo em reforma.
No Coroado não tem guerra, não tem droga, não tem arma e não tem vagabundo! O Coroado é a área de lazer da zona de conflito de algumas – das muitas – favelas da saudosa zona sul carioca.
É de nordestino que o Coroado respira, já que 80% da população é de Cearense, Baiano e Paraíba. Eles chegam em toneladas todo ano no Rio e correm direto pras favelas onde certamente tem um parente esperando por eles, em comum todos eles tem um sonho: fazer a vida.
Se tem uma coisa que precisamos fazer a cada momento, essa coisa é a vida, e pra esse povo de pescoço pequeno o que não falta é obstinação.
Amaral é um Cearense aplicado quando o assunto é fazer a vida, tem 37 anos – 8 deles vividos no Coroado. Bagagem de vida: três filhos homens, dois enteados, um filho adotivo, salário pequeno, casa pequena, oportunidades pequenas e tamanho grande para um nordestino. O coração é grande. O espírito é grande e a vida é bela, e na busca dela é que ele veio.
No nordeste nunca foi fácil, estamos cansados de ver isso retratado em filmes brasileiros, o nordeste é uma tragédia grega a cada olhar, não faltam dramas a serem contados e por isso todo mês temos um filme novo falando da mesma coisa com atores diferentes.
O ator da vez é Amaral, o grego, o Hércules que se tornou Coroado.
Veio de Crateús – Ceará ainda novo, com 18 anos, a primeira coisa que fez quando chegou foi a mais fácil de todas: filhos. Os problemas estavam só começando e a busca por um trabalho era incessante, fez um curso para segurança e logo em seguida conseguiu seu primeiro emprego. De lá pra cá já exerceu várias profissões sem nunca sair da mesma base salarial.
No Coroado ele conhece todo mundo e é bem quisto por ser a simpatia em pessoa, sempre com um sorriso pra quem quer que seja – bom dia, boa tarde e boa noite – não tem tempo ruim pra subir o escadão com 283 degraus que desemboca no Coroado.
É feliz por ter sua família num lugar que todos pensamos ser perigoso, mas que é mais tranqüilo do que qualquer outro bairro de classe média alta. E é pela tranqüilidade que cada espaço dessa favela é super valorizado, uma casa está por volta de 60 mil reais – nada mal pra quem quer morar numa favela.
Veio de Crateús – Ceará ainda novo, com 18 anos, a primeira coisa que fez quando chegou foi a mais fácil de todas: filhos. Os problemas estavam só começando e a busca por um trabalho era incessante, fez um curso para segurança e logo em seguida conseguiu seu primeiro emprego. De lá pra cá já exerceu várias profissões sem nunca sair da mesma base salarial.
No Coroado ele conhece todo mundo e é bem quisto por ser a simpatia em pessoa, sempre com um sorriso pra quem quer que seja – bom dia, boa tarde e boa noite – não tem tempo ruim pra subir o escadão com 283 degraus que desemboca no Coroado.
É feliz por ter sua família num lugar que todos pensamos ser perigoso, mas que é mais tranqüilo do que qualquer outro bairro de classe média alta. E é pela tranqüilidade que cada espaço dessa favela é super valorizado, uma casa está por volta de 60 mil reais – nada mal pra quem quer morar numa favela.
Na minha infância eu vivia na rua, fui criado solto numa cidade pequena, não tinha perigo, com exceção, é claro, do bicho do saco que minha mãe me alertava se eu ficasse na rua até de noite.
Observo as crianças que vivem numa cidade grande e noto que para assustá-las os pais não falam sobre o bicho do saco da minha infância e sim de um bicho real. Vários bichos. E elas, as crianças, têm que ficar brincando de um pique – esconde eterno dentro de seus apartamentos.
No Coroado eu senti um gostinho de cidade pequena de novo e fui jogar futebol com os filhos e enteados do Amaral, meus irmãos. Não de sangue, pois sou o filho adotivo.
Observo as crianças que vivem numa cidade grande e noto que para assustá-las os pais não falam sobre o bicho do saco da minha infância e sim de um bicho real. Vários bichos. E elas, as crianças, têm que ficar brincando de um pique – esconde eterno dentro de seus apartamentos.
No Coroado eu senti um gostinho de cidade pequena de novo e fui jogar futebol com os filhos e enteados do Amaral, meus irmãos. Não de sangue, pois sou o filho adotivo.