Ecstasybalabalada
Paula e Catherine
A Paula é cool. Parece a Annie. Annie Hall do Woody Allen. No colorido da roupa e na brancura da pele: uma argentina. Não por acaso ela mora na Argentina do Brasil, a Praia da Ferrugem.
É lá que começa minha aventura, mais precisamente na pousada da praia, onde mora Catherine, a melhor amiga da Paula.
A amizade começou na 6º série, numa brincadeira no começo do ano letivo, quando um joga um rolo de linha para o outro que tem que contar como foram suas férias. A Paula jogou para Catherine – e como toda grande história de amor começa de um acontecimento insignificante – eis que começa a delas.
Foi na volta da escola, no ônibus Garopaba x Ferrugem, que a amizade engrossou e tomou conta de suas jovens almas e é nessa viagem que é a vida de uma adolescente de 16 anos, repleta de altos e baixos, que eu embarco – ódio, paixões, os Martins, o Rodrigo Emanuel, blushs, baladas, chapinhas, cigarros, facebooks, álcool – a juventude. Eterna e efêmera.
M. O Uruguaio
M. tem 18 anos e não pode ser identificado. Silêncio. Só pra vocês – ele consome drogas ilícitas – Shhh – Todas elas. Ecstasy, a droga do amor, é sua preferida. Em segundo lugar nada como a velha e boa marijuana, que segundo seus amigos argentinos R. e P., está em falta na Ferrugem. Farinha (cocaína) tem de monte. É o que mais tem. Seu preço é quase o mesmo ao da maconha, pelo menos aqui, que a procura é grande e a quantidade pequena – 25 gramas na Argentina chegam a pagar 35 reais, aqui você não compra por menos de R$ 80,00.
M. veio com 900,00 reais para o Brasil depois do natal para passar a temporada toda, até o carnaval, depois passa um tempo no Nordeste do Brasil e em seguida parte para Bariloche onde passa o inverno trabalhando.
Dinheiro é o que ele menos tem, os R$ 900,00 que ele trouxe acabaram em uma semana, então teve que trabalhar. Trabalhou em vários restaurantes – foi despedido de todos. Hoje está à procura de emprego, gasta 10,00 reais por dia para poder se manter.
- Como alface e tomate no almoço. Para economizar. Dinheiro para drogas? Eu tenho amigos!
A Mãe do Lucas
- Tu não faz chapinha?
- Faço.
- Ah, mas ta super legal ao natural.
- Mesmo?
- Aham.
- Ah, então vou deixar.
Depois de várias vodkas com tang de laranja esse era o diálogo do Yuri com a mãe do Lucas. O cabelo dele parecia um livro aberto, segundo ele mesmo. A mãe do Lucas tava sendo muito querida ou talvez ela gostasse mesmo daquele cabelo, pela atitude que relembra os hippies de 68 e toda a transgressão. Aquele cabelo é a liberdade! A liberdade que o Yuri insistia em alisar com a chapinha.
Lucas, o filho, também tem cabelo grande, porém não faz chapinha. Ele é roqueiro! Jonnyesbaby é o nome da banda que ele tem com o João. Amigos na escola , bandas em comum, estilos parecidos... Vamos montar uma banda? Apagam-se as luzes. O show começa.
De início tocaram duas do Strokes – não me empolguei. A terceira foi um trecho de “Fluorescent adolescent” do Arctic Monkeys – menos ainda. Quando estavam indo para quarta e o meu saco tava enchendo, acertaram com tudo “Soldier of Love” do Pearl Jam. Gostei.
A quinta, sexta, sétima música eu não lembro. A vodka com tang de laranja! E eu me esqueço de tudo. Só lembro da tia falando:
- Eu embebedei o cara! Olha, não vai dizer que tava na mãe do Lucas.
Fio, Karina, Jus e Jo!
Descoladas e lindas. 20 anos. Argentinas.
P.S. Quatro caipiroskas, só pra começar.
Paula e Catherine 2
Ecstasy, bala e balada.
A mãe da Catherine chorou quando soube que sua filha com então 14 anos estava fumando. Foi um choque. A Catherine prometeu que ia parar. E parou? E chorou! Quando na festa da espuma a água estragou sua chapinha.
- Eu to sem maquiagem, sem franja, sem sutiã.
- Sem chinelo.
- É. Sem chinelo.
A Paula tem uma queda pelo sotaque argentino. Ela se apaixonou pelo Rodrigo Emanuel numa noite na Ferrugem, ficou com ele e obrigou o cara a fazer um Orkut. Ele fez e tem dois amigos, a Paula e outra, que não é a Catherine. Esse romance não foi além de um depoimento: “Hola linda, I missing you so much. Besos.” Uma coisa, eu diria, fugaz. Romance mesmo ela tem com o álcool – sem transformá-la numa bêbada – é um romancezinho bobo e duradouro, daqueles que melhoram com o tempo. Mas é só álcool.
Maconha, coca, bala, crack – isso deixa pro M. consumir. As coisas ilícitas.
Antigamente, à uns dez anos atrás, era tudo liberado na Ferrugem. Os argentinos pelados no meio da rua. Todo mundo pelado na rua. Era uma terra sem dono, não tinha polícia, infra-estrutura. Hoje é diferente, falta maconha na Ferrugem! argentinos pelados também está em falta. Um dia desses o tio da Paula pegou um tomando banho num chuveiro da rua, uma raridade, ele correu pra cima do cara com uma vara de bambo, o gringo nu levou uma surra de vara.
A mãe do Lucas não gosta de argentinos – sujos, bagunceiros, escandalosos, viadinhos.
Drogas = Desvio de conduta. Ela desperta, ela transcende. Drogadrogadroga.
“A diminuição do uso de substâncias tóxicas que causam dependência se deve a manutenção da ilegalidade destes produtos.” O álcool e o cigarro causam mais mortes justamente porque são legais.
Legal então.
A mãe do Lucas 2
A tia é à favor da legalização da maconha, pois é...
Cool como a Paula.
Assexuadas como as argentinas.
Rock como o cabelo do Lucas e ao mesmo tempo pop como o cabelo alisado do Yuri.
É um pré-adolescente de sete anos que por curiosidade ou com a intenção de fazer uma figura importante, fuma um cigarro.
A droga é trash.
Mortal como M., o não-identificado.
Paula e Catherine
A Paula é cool. Parece a Annie. Annie Hall do Woody Allen. No colorido da roupa e na brancura da pele: uma argentina. Não por acaso ela mora na Argentina do Brasil, a Praia da Ferrugem.
É lá que começa minha aventura, mais precisamente na pousada da praia, onde mora Catherine, a melhor amiga da Paula.
A amizade começou na 6º série, numa brincadeira no começo do ano letivo, quando um joga um rolo de linha para o outro que tem que contar como foram suas férias. A Paula jogou para Catherine – e como toda grande história de amor começa de um acontecimento insignificante – eis que começa a delas.
Foi na volta da escola, no ônibus Garopaba x Ferrugem, que a amizade engrossou e tomou conta de suas jovens almas e é nessa viagem que é a vida de uma adolescente de 16 anos, repleta de altos e baixos, que eu embarco – ódio, paixões, os Martins, o Rodrigo Emanuel, blushs, baladas, chapinhas, cigarros, facebooks, álcool – a juventude. Eterna e efêmera.
M. O Uruguaio
M. tem 18 anos e não pode ser identificado. Silêncio. Só pra vocês – ele consome drogas ilícitas – Shhh – Todas elas. Ecstasy, a droga do amor, é sua preferida. Em segundo lugar nada como a velha e boa marijuana, que segundo seus amigos argentinos R. e P., está em falta na Ferrugem. Farinha (cocaína) tem de monte. É o que mais tem. Seu preço é quase o mesmo ao da maconha, pelo menos aqui, que a procura é grande e a quantidade pequena – 25 gramas na Argentina chegam a pagar 35 reais, aqui você não compra por menos de R$ 80,00.
M. veio com 900,00 reais para o Brasil depois do natal para passar a temporada toda, até o carnaval, depois passa um tempo no Nordeste do Brasil e em seguida parte para Bariloche onde passa o inverno trabalhando.
Dinheiro é o que ele menos tem, os R$ 900,00 que ele trouxe acabaram em uma semana, então teve que trabalhar. Trabalhou em vários restaurantes – foi despedido de todos. Hoje está à procura de emprego, gasta 10,00 reais por dia para poder se manter.
- Como alface e tomate no almoço. Para economizar. Dinheiro para drogas? Eu tenho amigos!
A Mãe do Lucas
- Tu não faz chapinha?
- Faço.
- Ah, mas ta super legal ao natural.
- Mesmo?
- Aham.
- Ah, então vou deixar.
Depois de várias vodkas com tang de laranja esse era o diálogo do Yuri com a mãe do Lucas. O cabelo dele parecia um livro aberto, segundo ele mesmo. A mãe do Lucas tava sendo muito querida ou talvez ela gostasse mesmo daquele cabelo, pela atitude que relembra os hippies de 68 e toda a transgressão. Aquele cabelo é a liberdade! A liberdade que o Yuri insistia em alisar com a chapinha.
Lucas, o filho, também tem cabelo grande, porém não faz chapinha. Ele é roqueiro! Jonnyesbaby é o nome da banda que ele tem com o João. Amigos na escola , bandas em comum, estilos parecidos... Vamos montar uma banda? Apagam-se as luzes. O show começa.
De início tocaram duas do Strokes – não me empolguei. A terceira foi um trecho de “Fluorescent adolescent” do Arctic Monkeys – menos ainda. Quando estavam indo para quarta e o meu saco tava enchendo, acertaram com tudo “Soldier of Love” do Pearl Jam. Gostei.
A quinta, sexta, sétima música eu não lembro. A vodka com tang de laranja! E eu me esqueço de tudo. Só lembro da tia falando:
- Eu embebedei o cara! Olha, não vai dizer que tava na mãe do Lucas.
Fio, Karina, Jus e Jo!
Descoladas e lindas. 20 anos. Argentinas.
P.S. Quatro caipiroskas, só pra começar.
Paula e Catherine 2
Ecstasy, bala e balada.
A mãe da Catherine chorou quando soube que sua filha com então 14 anos estava fumando. Foi um choque. A Catherine prometeu que ia parar. E parou? E chorou! Quando na festa da espuma a água estragou sua chapinha.
- Eu to sem maquiagem, sem franja, sem sutiã.
- Sem chinelo.
- É. Sem chinelo.
A Paula tem uma queda pelo sotaque argentino. Ela se apaixonou pelo Rodrigo Emanuel numa noite na Ferrugem, ficou com ele e obrigou o cara a fazer um Orkut. Ele fez e tem dois amigos, a Paula e outra, que não é a Catherine. Esse romance não foi além de um depoimento: “Hola linda, I missing you so much. Besos.” Uma coisa, eu diria, fugaz. Romance mesmo ela tem com o álcool – sem transformá-la numa bêbada – é um romancezinho bobo e duradouro, daqueles que melhoram com o tempo. Mas é só álcool.
Maconha, coca, bala, crack – isso deixa pro M. consumir. As coisas ilícitas.
Antigamente, à uns dez anos atrás, era tudo liberado na Ferrugem. Os argentinos pelados no meio da rua. Todo mundo pelado na rua. Era uma terra sem dono, não tinha polícia, infra-estrutura. Hoje é diferente, falta maconha na Ferrugem! argentinos pelados também está em falta. Um dia desses o tio da Paula pegou um tomando banho num chuveiro da rua, uma raridade, ele correu pra cima do cara com uma vara de bambo, o gringo nu levou uma surra de vara.
A mãe do Lucas não gosta de argentinos – sujos, bagunceiros, escandalosos, viadinhos.
Drogas = Desvio de conduta. Ela desperta, ela transcende. Drogadrogadroga.
“A diminuição do uso de substâncias tóxicas que causam dependência se deve a manutenção da ilegalidade destes produtos.” O álcool e o cigarro causam mais mortes justamente porque são legais.
Legal então.
A mãe do Lucas 2
A tia é à favor da legalização da maconha, pois é...
Cool como a Paula.
Assexuadas como as argentinas.
Rock como o cabelo do Lucas e ao mesmo tempo pop como o cabelo alisado do Yuri.
É um pré-adolescente de sete anos que por curiosidade ou com a intenção de fazer uma figura importante, fuma um cigarro.
A droga é trash.
Mortal como M., o não-identificado.
Tiburi...muito especial teu texto, sincero e bm escritoo...boa sorte pra vc continue sempre assim õ/ ameii *--*
ResponderExcluirUm Beeijo enorme e muito sucesso! =)